Escolher Bem Também é um Ato de Fé



Por que o cristão não pode ser ingênuo na política

Vivemos em uma sociedade onde a política deixou de ser percebida como serviço e passou a ser tratada, muitas vezes, como espetáculo, disputa de poder ou simples troca de favores. Nesse cenário, o cristão corre um risco silencioso: participar das eleições sem compreender o alcance moral de suas escolhas. O Evangelho, porém, não autoriza uma fé fragmentada, restrita ao templo e desconectada da vida pública. A forma como escolhemos nossos representantes diz muito sobre aquilo em que realmente acreditamos.

A Doutrina Social da Igreja ensina que a política, quando ordenada ao bem comum, pode ser uma das formas mais altas de caridade. Isso exige consciência formada, responsabilidade pessoal e fidelidade à verdade. No entanto, grande parte do eleitorado desconhece como o sistema político realmente funciona. Poucos sabem, por exemplo, que no sistema proporcional o voto não fortalece apenas um candidato, mas também o partido e o projeto político que ele representa. Ignorar esse fato transforma o voto em um gesto ingênuo, facilmente manipulado por discursos bem construídos e promessas vazias. O discernimento político cristão começa pela compreensão da realidade. É necessário entender a relação entre partidos e mandatos, o peso das decisões coletivas nas casas legislativas e o impacto concreto das leis sobre a vida, a família, a educação, a liberdade religiosa e a justiça social. A Igreja não apresenta plataformas partidárias, mas oferece critérios morais objetivos que ajudam o fiel a avaliar propostas, alianças e condutas à luz da dignidade da pessoa humana e do bem comum. Nem todos os projetos políticos são moralmente equivalentes, e reconhecer isso não é fanatismo, mas maturidade de consciência.

Outro ponto central é a falsa ideia de neutralidade. Não existe escolha política neutra. A omissão, o voto por conveniência ou a adesão acrítica a partidos e candidatos colaboram, ainda que indiretamente, para a manutenção de estruturas injustas. A tradição cristã sempre alertou para o perigo do clientelismo, do fisiologismo e da corrupção, não apenas como falhas administrativas, mas como pecados sociais que ferem a justiça e atingem, sobretudo, os mais pobres. Apoiar conscientemente essas práticas significa cooperar com o mal, ainda que sob o pretexto de benefícios imediatos. A consciência cristã também não pode ser substituída por ordens partidárias ou pressões ideológicas. O Concílio Vaticano II recorda que a consciência é o santuário mais íntimo da pessoa, onde ela se encontra a sós com Deus. Por isso, nenhum cristão pode justificar escolhas contrárias à vida, à família ou à dignidade humana alegando fidelidade política ou pragmatismo eleitoral. A história da Igreja e o testemunho dos santos mostram que a fidelidade à verdade frequentemente exige coragem, renúncia e disposição para nadar contra a corrente. Participar da vida política, portanto, vai muito além do dia da eleição. Implica acompanhar mandatos, cobrar coerência, denunciar injustiças e defender valores que não admitem negociação. O voto, quando vivido com consciência cristã, torna-se expressão concreta da fé encarnada na vida social. Quando vivido sem critério, transforma-se em corresponsabilidade pelos males que se seguem.

Formar-se, refletir e discernir são atitudes indispensáveis para quem deseja agir com responsabilidade diante de Deus e da sociedade. A política passa, os governos mudam, mas as consequências das escolhas permanecem. O futuro de uma nação começa na consciência de seus cidadãos, e o cristão é chamado a ser sal da terra e luz do mundo também nesse campo. É nessa encruzilhada entre fé e realidade que se decide se nossas escolhas constroem justiça ou perpetuam o erro. Se você deseja compreender melhor a relação entre fé e política, formar sua consciência à luz do Evangelho e deixar de escolher no impulso, leia Domine a Arte da Escolha Consciente: Representantes Políticos na Visão Cristã e aprofunde-se em um discernimento que não termina na urna, mas começa na consciência.

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