Não tenha medo de descobrir para que Deus te chamou
Talvez você esteja adiando uma decisão porque tem medo de repetir a história que viu dentro da própria casa. Talvez seus pais tenham vivido um casamento marcado por conflitos, abandono, infidelidade, separação ou frieza. Ou talvez você tenha visto justamente o contrário: um amor fiel, mas pensa que não seria capaz de viver algo semelhante.
Mas existe uma verdade que você precisa compreender: a história dos seus pais não é a sua vocação.
Você não nasceu para reproduzir os acertos ou os fracassos de ninguém. Deus não olha para a história da sua família e diz: “é isso que acontecerá com você”. Ele olha para você e pergunta: “O que você fará com a vida que Eu lhe dei?”
Cada homem e cada mulher recebem de Deus uma vocação própria. E a primeira delas é amar. Mas esse amor pode assumir caminhos diferentes: para alguns, será o Matrimônio; para outros, a entrega total a Cristo no celibato pelo Reino de Deus. A Igreja ensina que nenhuma dessas vocações é simplesmente uma escolha entre “casar” ou “ficar solteiro”. Ambas são formas concretas de entregar a própria vida.
Você não precisa escolher aquilo que parece mais seguro. Precisa descobrir aquilo para o qual Deus está chamando você.
O Matrimônio não é uma tentativa de construir uma vida confortável ao lado de alguém. É um Sacramento. Cristo entra na história de um homem e de uma mulher e transforma sua união em caminho de santidade. Os esposos são chamados a uma doação total, fiel e indissolúvel, tornando visível, na própria vida, o amor de Cristo pela Igreja.
Por isso, se Deus está chamando vocês ao Matrimônio, não tenham medo de dizer sim por causa das feridas que vocês viram em outras famílias. O casamento dos seus pais não determina o casamento de vocês. As escolhas erradas que outros fizeram não anulam a graça que Deus pode derramar sobre a vida de vocês.
Mas existe também outra pergunta que precisa ser feita com honestidade:
E se Deus não estiver chamando você para o Matrimônio?
E se aquele desejo de entregar tudo a Cristo, de pertencer inteiramente a Ele, de servir à Igreja e ao Reino com um coração indiviso não for uma fuga, mas um chamado?
Jesus mesmo falou daqueles que renunciam ao Matrimônio “por causa do Reino dos Céus” (Mt 19,12). A Igreja reconhece nessa entrega uma vocação real: a virgindade e o celibato pelo Reino manifestam a primazia absoluta de Cristo e a esperança da vida futura.
Por isso, não se case simplesmente porque tem medo de ficar sozinho. E não escolha o celibato simplesmente porque tem medo de se casar. Não escolha nenhum estado de vida para fugir de uma ferida. Escolha para responder a um chamado.
Talvez você esteja namorando há anos e nunca tenha parado diante de Deus para perguntar seriamente: “Senhor, é esta pessoa com quem Tu queres que eu faça uma aliança para toda a vida?”
Talvez vocês estejam esperando “o momento certo”, enquanto Deus espera apenas que tenham coragem de dar um passo. Talvez você esteja mantendo um relacionamento porque não consegue terminar, embora saiba que Deus está apontando para outro caminho. Talvez você esteja pensando em casar porque “todo mundo casa”, enquanto, no silêncio da oração, Deus esteja despertando em você um desejo de pertencer exclusivamente a Ele.
Não adie indefinidamente aquilo que precisa ser discernido.
A vida não foi dada para ser experimentada indefinidamente em estado de indecisão. O tempo passa. A juventude passa. As oportunidades passam. E, enquanto você tenta proteger-se de qualquer possibilidade de sofrimento, pode estar também adiando a possibilidade de viver a maior aventura para a qual Deus o criou.
São Paulo recorda: “Cada um receba de Deus seu dom particular; um, deste modo; outro, daquele modo.” (1Cor 7,7).
Portanto, parem. Rezam juntos. Silenciem os ruídos. Coloquem diante de Cristo seus medos, seus traumas, seus desejos e seus projetos. E façam uma pergunta que talvez vocês tenham medo de fazer:
“Senhor, o que Tu queres de nós?”
Não: “O que é mais fácil?”
Não: “O que vai me fazer sofrer menos?”
Não: “O que fizeram meus pais?”
Não: “O que a sociedade espera de mim?”
Mas: “Para que Tu me criaste?”
Porque a verdadeira felicidade não nasce quando conseguimos fazer Deus caber nos nossos planos. Ela nasce quando descobrimos o plano de Deus e temos coragem de entregar nossa vida a Ele. Se Ele chama vocês ao Matrimônio, não tenham medo de se entregar. Se Ele chama você ao celibato pelo Reino, não tenha medo de perder uma vida que nunca foi sua para possuir. Em ambos os caminhos existe cruz. Em ambos existe renúncia. Em ambos existe fecundidade. E, sobretudo, em ambos pode existir santidade.
O problema não é sofrer. O problema é sofrer fora daquilo para o qual Deus chamou você. E talvez a pergunta mais urgente para você hoje não seja: “Vou me casar ou não?”
Mas: “Estou disposto a descobrir a vontade de Deus e a obedecê-la, mesmo que ela não coincida com aquilo que eu havia planejado?”
Porque um dia você terá de responder; não aos seus pais; não à sociedade; não aos seus amigos.
A Deus!
E talvez esse dia esteja muito mais próximo do que você imagina.

Comentários
Postar um comentário